Castelo de Peñíscola
Uma fortaleza templária sobre um rochedo quase rodeado pelo mar e, durante três décadas do século XV, a sede de um papa. É a razão por que a maioria das pessoas vem, e leva cerca de hora e meia.
O castelo fica no ponto mais alto do rochedo, acima das muralhas do centro histórico e a cerca de 64 metros acima do mar. É a coisa mais fotografada da província e uma das fortalezas medievais mais bem conservadas do Mediterrâneo espanhol: um edifício militar compacto, austero, com uma vista de 360 graus sobre a costa, sobre a Playa Norte e sobre a serra d’Irta atrás.
Sobrepõem-se nele duas histórias. Foi construído pelos Cavaleiros Templários e, um século depois de a ordem ser dissolvida, tornou-se residência de Bento XIII — Pedro de Luna, o Papa Luna —, o que faz de Peñíscola um dos três únicos sítios que alguma vez serviram de sede papal, a par de Roma e de Avinhão. Tudo o que se segue vem das mesmas fontes do nosso guia em espanhol; onde um valor muda com a época, dizemo-lo em vez de fingir que é fixo.
Quem o construiu, e como uma vila piscatória arranjou um papa
Os Templários ergueram a fortaleza entre o final do século XIII e o início do XIV — sensivelmente de 1294 a 1307 — sobre os alicerces de uma alcáçova árabe anterior. Isso explica a arquitetura: pesada, despojada, defensiva, nada parecida com os castelos-palácio construídos mais tarde no interior. Quando a ordem foi dissolvida, a fortaleza passou para a Ordem de Montesa e mais tarde para a Coroa.
O seu grande momento chegou no século XV, quando se tornou residência e sede papal de Pedro de Luna, Bento XIII. Guardou aqui a sua biblioteca e a sua corte e governou deste rochedo o que restava da sua obediência. É por isso que as muralhas de uma pequena vila piscatória têm o peso que têm: durante algumas décadas, esta foi uma das duas ou três moradas que reclamavam ser a cabeça da cristandade ocidental.
Quem foi o Papa Luna?
Pedro Martínez de Luna, nobre aragonês, foi eleito papa em Avinhão em 1394 como Bento XIII, a meio do Cisma do Ocidente — as décadas em que a Igreja teve papas rivais ao mesmo tempo. Quando a maior parte da cristandade lhe retirou o apoio, refugiou-se em Peñíscola, que era praticamente inexpugnável, e defendeu daqui a sua legitimidade até morrer, por volta de 1423.
Nunca cedeu. A teimosia é a parte que ficou: a frase que se lhe associa sobre manter as próprias convicções ainda hoje se cita em Espanha, e pertence a este rochedo e não a Avinhão. De pé no seu gabinete, com o mar de três lados, a decisão de aguentar aqui faz um certo sentido.
O que se vê lá dentro de facto
O percurso pelo castelo cobre as salas onde o Papa Luna viveu e governou e também a estrutura militar por baixo:
- A basílica e as salas nobres — o coração cerimonial da antiga sede papal.
- O gabinete do Papa Luna, onde guardava a sua biblioteca.
- As cavalariças e as salas templárias, que é onde a fortaleza original se vê melhor.
- O terraço e os miradouros, com a costa estendida nos dois sentidos.
- Os jardins do Parque de Artilharia, incluídos no bilhete: um terraço ajardinado sobre o Mediterrâneo.
Horários e bilhetes
O castelo abre todo o ano, com horário mais alargado em época alta. A título indicativo:
| Época | Horário aproximado |
|---|---|
| Verão (manhã e tarde) | cerca das 09:30 às 21:30 |
| Inverno (dia mais curto) | cerca das 10:30 às 17:30 |
A entrada geral custa alguns euros e cobre o castelo e os jardins do Parque de Artilharia, com reduções para grupos, visitantes séniores e crianças. Os horários e os preços mudam com a época e com os eventos programados, por isso confirme-os no posto de turismo de Peñíscola antes de ir. Publicamo-los como aproximados e não como exatos porque é o que são.
O castelo no ecrã
O cenário atrai equipas de filmagem há setenta anos. O castelo e o centro histórico foram a sexta temporada de A Guerra dos Tronos, rodada em 2015, em que Peñíscola fez de cidade livre de Meereen. Muito antes disso vieram El Cid (1961), com Charlton Heston e Sophia Loren, e Calabuch (1956), do realizador espanhol Luis García Berlanga.
Se viu os episódios de Meereen, a subida pela vila amuralhada é uma sucessão de esquinas reconhecíveis. O site em espanhol tem uma página dedicada aos cenários, rua a rua.
Conselhos práticos antes de subir
O castelo fica no cimo do centro histórico, e o centro histórico é uma encosta de rampas de calçada. Não tem nada de difícil, mas é uma subida:
- Leve sapatos com que consiga subir. A pedra está polida e fica escorregadia com chuva.
- Água e proteção solar no verão — boa parte do percurso é a descoberto.
- Vá cedo ou ao fim do dia. O meio-dia em agosto é a hora mais quente e a mais cheia.
- Deixe tempo para o pôr do sol no farol e nos miradouros à volta.
- Combine-o com as muralhas, com o Bufador e com o Portal Fosc; está tudo a algumas centenas de metros.
- Em época alta, estacione nos parques do norte e entre a pé. Entrar de carro no centro histórico não é um plano.
Onde ficar para visitar o castelo
Peñíscola é pequena o suficiente para que quase qualquer sítio sirva, mas a geografia importa: o centro histórico tem pouquíssimas camas e não tem estacionamento, e os hotéis alinham-se ao longo da Avenida Papa Luna, que sobe para norte a partir do rochedo durante cerca de dois quilómetros. Quanto mais baixo o número de porta, mais curta a caminhada até à porta do castelo.
O Gran Hotel Peñíscola está no número 132 dessa avenida, a cerca de 3,8 km do castelo ao longo da baía — medidos no OpenStreetMap, e convém saber antes de imaginar um passeio até às muralhas. O hotel põe um autocarro próprio para hóspedes no verão e na Páscoa. É um quatro estrelas desde 69 € por noite com spa, e o hotel com mais avaliações da vila: 4427 no Booking com 8,2/10 (7 de agosto de 2026) e 11 361 no Google com 4,2/5 (27 de julho de 2026). Encerra no inverno — última noite da época a 7 de novembro de 2026, reabertura a 26 de fevereiro de 2027 —, o que convém saber antes de comprar um voo para janeiro.
Perguntas frequentes
Quem construiu o castelo de Peñíscola?
Os Cavaleiros Templários, sensivelmente entre 1294 e 1307, sobre os alicerces de uma alcáçova árabe anterior. Depois de a ordem ser dissolvida passou para a Ordem de Montesa e depois para a Coroa, e no século XV tornou-se a sede papal de Bento XIII, o Papa Luna, cujo nome ainda hoje leva.
Quem foi o Papa Luna?
Pedro Martínez de Luna, nobre aragonês eleito papa em Avinhão em 1394 como Bento XIII, durante o Cisma do Ocidente. Quando a maior parte da cristandade lhe retirou o reconhecimento, refugiou-se em Peñíscola, fez dela a sua sede papal e defendeu daqui a sua legitimidade até morrer, por volta de 1423.
Quanto custa e quando está aberto?
A entrada geral custa alguns euros e inclui o castelo e os jardins do Parque de Artilharia, com reduções para grupos, visitantes séniores e crianças. O horário anda pelas 09:30-21:30 no verão e pelas 10:30-17:30 no inverno. Tanto os preços como os horários mudam com a época, por isso confirme-os no posto de turismo de Peñíscola antes da visita.
Quanto tempo demora a visita?
Entre uma hora e hora e meia para o castelo e os jardins do Parque de Artilharia, consoante o tempo que passe nos miradouros. Somando a vila amuralhada, conte com meia manhã ou meia tarde.
O que se filmou no castelo de Peñíscola?
A sexta temporada de A Guerra dos Tronos, rodada em 2015, com Peñíscola como cidade livre de Meereen; El Cid (1961), com Charlton Heston e Sophia Loren; e Calabuch (1956), de Luis García Berlanga. O castelo e a vila amuralhada aparecem nos três.
Também em português
O resto do que publicamos em português:
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O guia detalhado está em espanhol
O site em espanhol vai mais longe: os cenários de A Guerra dos Tronos rua a rua, as visitas guiadas à vila amuralhada, o parque natural da Serra d’Irta, e uma página para cada hotel com as suas avaliações desdobradas por tema.